GEGRAF-Grêmio Esportivo Grafite - Coluna do Doutor Júlio: artigo de dezembro/2011
Postado por Administrador | Data postagem 27/12/2011 20:17 | destaque 1849 visualizações Imprimir Enviar email

Coluna do Doutor Júlio: artigo de dezembro/2011

Segundo Medeiros e Medeiros(2006), a mordida aberta anterior caracteriza-se pela falta de contato dos dentes anteriores-superiores e inferiores, enquanto os demais permanecem em oclusão.
     Dentre as más oclusões, Nanda(2007) diz que a mordida aberta anterior é uma das mais difíceis deformidades dentofaciais de se tratar. Sendo que a complexidade dessa má-oclusão é atribuída à combinação de fatores relacionados à mesma, como: respiração oral, sucção de dedo ou chupeta, interposição de lábio e língua, entre outros.
      De acordo com Kartz (2002) o hábito de sucção digital é considerado prejudicial e passível de intervenção, pela possibilidade de causar danos à oclusão e ao crescimento facial das crianças.
      A sucção digital é um hábito oral involuntário, comportamento praticado muitas vezes, que se torna inconsciente e passa a ser incorporado à personalidade.


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Silva Filho ET AL (1986), ressaltam  entretanto, que hábitos como sucção digital e chupeta, até a idade de 3 anos a 3 anos e meio são considerados plenamente normais, fazendo parte do desenvolvimento emocional da criança, não trazendo consequência prejudiciais permanentes para a oclusão, pois até essa idade há uma  forte tendência para auto-correção da má oclusão, apesar dessa correção espontânea ser dependente de vários outros fatores, tais como o equilíbrio da musculatura perioral e o padrão respiratório.

Outro hábito bucal prejudicial e comumente associado à mordida aberta é a respiração oral. Segundo Boeira ET AL (2005), diz que a obstrução das vias aéreas superiores leva a uma respiração oral e, consequentemente, a um comprometimento da postura de mandíbula. Segundo Graber ET AL (1985) o tratamento das mordidas abertas pode abranger diversas especialidades: terapia com fonoaudióloga, ortopedia funcional dos maxilares, ortodontia, procedimentos cirúrgicos respiratórios ou associação destes procedimentos. A conduta adotada depende principalmente da causa e da época da intervenção.

 


Caso Clínico


A paciente T.S.S, sete anos e cinco meses de idade, do gênero feminino, procurou a clínica do Curso  de Especialização em Ortodontia da ABEPO (Associação Brasileira dos Especialistas de Odontologia) acompanhada de sua mãe.

Paciente apresenta uma musculatura desequilibrada e uma postura baixa de língua favorecendo uma atresia da maxila. Foi confeccionado um aparelho quadrihélice com anteparo lingual com fio 0,08” redondo, de aço inoxidável. A intervenção fonaudiológico e otorrinolaringológica foi necessária para poder retornar o equilíbrio do sistema mastigatório.
Após alguns meses de tratamento com o aparelho quadrihélice com anteparo lingual, obteve-se um fechamento parcial da mordida de 5,0mm. Ressalta-se que até então tinha-se a intenção de equilibrar a paciente no que diz respeito à sua respiração e também tirar o hábito de sucção digital. Agora a paciente está pronta para o tratamento ortodôntico propriamente dito.

No caso relatado foi imprescindível a intervenção do otorrinolaringologista e do fonaudiologista para restabelecer o equilíbrio da respiração e da musculatura perioral. A colaboração e entendimento da paciente e responsável foram fatores primordiais para a obtenção de resultados positivos nesta fase, lembrando, que sem esse comprometimento, a mesma não teria obtido o equilíbrio do tratamento proposto.

 

Júlio César Vaz de Melo
CRO-MG 14.605

 
Professor do Curso de Especialização em Ortodontia- Abepo-BH
Especialista em Ortodontia Terapia Bioprogressiva de Ricketts
Mestrado em Radiologia e Imaginologia Dento-Maxilo-Facial e Estomatologia
Fone(37)3341-1752 – Itapecerica - MG

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